Para que você leitor possa enterder.

"Prosarei para tornar-te poético.."

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Enquanto estou inquieta...

Elmin, não sei como te dizer como é se sentir saindo da pele.
Comecei esse dia ameno, de cores pardas e de ar parado, mas o calor e o sol fizeram a miragem se esvair e aqui estou enfim... nua em pêlo.
Estou caminhando, mas na verdade o que enfeita o meu corpo são as enormes asas que pendem das minhas costas... elas tem a cor do mais profundo azul
Há um cheiro de framboesas no ar, quando imagino-as a poucos passos de mim já posso sentir o seu sabor escorrendo de minha boca e caindo, formando uma trilha de doce sumo.
Nem mesmo sei porque dizer tudo isso a você.
Você conhece essas asas, conhece o sabor de planar por alguns instante como se fosse feito da mesma matéria das nuvens
Você conhece a minha voz, o meu murmúrio enquanto espero ser imersa totalmente
Posso imaginar seus sonhos, posso ouvir ecos de você em mim.
Agora, só posso imaginar o seu gemido, quando possuída por todo esse sabor, eu chegar até você e tirar...  parte de ti.
Te deixo minha boca e meus dentes e recebo tua força e teus ásperos calos.

Tua,

Due

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Uma noite contigo

Caminho pela orla...
Não há nada nem ninguém.
Vejo-te no mar com o constante bater das ondas aos seus joelhos nus.
Vai e vem, vai e vem (exciting).
Atravesso com meu olhar plano as camadas das água e posso ver cada uma das nossas pretensões juntos, que casam perfeitamente com o largo horizonte do nosso amor.
Você caminha até a areia, com passos sedutores, em minha direção.
Eu aguardo-te calmamente, apreciando cada movimento de seu sex appeal.
Ao encontrar de nossos corpos, deliro com o seu perfume suave e liberto meus poros.
Meus punhos agarram suas mechas;
Suas unhas deixam seu registro nas minhas costas;
E nós dois nos tornamos um.
É então que percebo a maré se transformar e todos os nossos projetos, planos, desejos se perderem ou tomarem outro rumo.
As ondas se agitam;
o céu se acinzenta;
a brisa se torna ventania;
você me olha e seu corpo irrompe em um relâmpago...

...aí eu desperto.

Como sempre, lá fora está chovendo torrencialmente.
E como em todas as noites em que isso acontece eu levanto, acendo um cigarro, busco nossas fotografias e mergulho em memórias. A diferença é que dessa vez resolvi compartilhar contigo, meu amor.
Oh Due, haveríamos de impedir a inconstância de nossa maré se estivéssimos juntos?
Enquanto não descubro, espero pela aurora.

Permaneço em ti,
Elmin

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Enfim

Para mim, meu amor, é momento de dissipar.
O silêncio e a rotina.
Ver-te do relevante ao mais banal me deixa tão promíscuo que já deixou de ser catártico. Isso me incomoda e me afasta.
Andando pelas ruas do meu exílio procuro-te nos rostos alheios. Não sou imune ao desejo, por isso peco. E é devido aos meus atos de insucesso que não consigo voltar ao Olimpo de nossa vida juntos (momentos de deuses que éramos já dissipados).
Diferente de Ícarus, almejo a lua que me olha pela janela e se esconde nessas sombras gasosas. Será você?
Basta! Chega de auto-punição.
É hora de dançar algo diferente da valsa que planejara.
Estrelas são raras por aqui... que tal refazer a aurora?


Somente seu,

Elmin.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Ao meu amor.

Sabe que sou orfã de pai, quanto a mãe só posso guardá-la no peito.
Ontem andei na chuva fina, gostosamente aproveitei estar nua por debaixo da roupa e a chuva continuava a cair.
Me sinto solitária e orfã, uma vez a cada ano, pelo menos.
Ante ontem olhei para o céu da varanda de minha casa. 
Gostaria de ver a vida como esse grande tecido com estrelas, podendo determinar, como na fruta mofada, a constelação primeira e daí traçar os meus passos:
Passos de garota... passos de menina... passos de bicho, de riso e de morte... e os passos de mulher... que  parecem tímidos, apenas pingadas do tubo de gliter.
Gostaria de refazer uma constelação.
E você meu amor?

De sua,

Due.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Para: P.

Nunca gostei de partidas, afinal despedidas não me agradam, mas sei que pretendes fazer uma longa viagem e sei que, meu companheiro e amigo, talvez, emudeças...
Não quero imaginar que nunca mais nos encontraremos, prefiro achar que nossas almas podem flutuar enquanto estamos aqui e, de mão dadas, tocarem esses corpos em que habitamos.
O cheiro dessa noite clara sorri, estou olhando para a lua e não a estou estou enxergando, nem mesmo o céu de verdade. Porque me enganar, não?
Só consigo lembrar quando sorrindo tinha mil luas na cabeça e teus olhos eram constelações, queríamos ser os primeiros, mas nunca seremos nem mesmo os últimos a fechar nossos olhos e segurarmos nossas mãos como se nunca mais fôssemos nos separar.
Sento-me num banco, essa noite, e olho as luzes da rua, são multicoloridas e só me lembram crianças sorrindo, acho que deveria sorrir também, não?
Mas, infelizmente, meus lábios estão trêmulos e meus olhos rasos...
Então, só queria te dizer mais uma coisa: Sinto sua falta.

Sentada aqui,

Due.